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- Vamos encher os Pavilhões - mas com dignidade a Modalidade merece
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domingo, 16 de julho de 2017

Mundial Sub-17 de Andebol de Praia - 2017 – VIII

I MUNDIAL SUB-17 DE ANDEBOL DE PRAIA
2017 (MASCULINOS E FEMININOS)
NA
REPÚBLICA DAS MAURÍCIAS

As Selecções Nacionais de ambos os géneros, que disputaram este Mundial, tiveram comportamento meritório, com especial relevo para a equipa Feminina, que pela 1.ª vez coloca Portugal em termos Andebolísticos nuns Jogos Olímpicos. Destacamos o comportamento desportivo destas jovens equipas, endereçando os nossos parabéns e agradecimentos, pelo que fizeram.

Assim iremos publicar os Resultados Finais desta prova, em especial os que definiram os 8 primeiros Lugares, em ambos os géneros. Devendo no entanto fazer uma crítica, à IHF, não só pela fraca informação fornecida, como ao site da prova, que foi extremamente fraco, em termos informativos, por exemplo até ao momento ainda não foi publicada uma Classificação Final.

Masculinos

ESPANHA CAMPEÃ MUNDIAL
(Portugal 7.º Classificado)
(Foto IHF)
1/4 Final

Dia 15-07-17
Rússia 2 - 0 Portugal
Venezuela 0 – 2 Itália
China Taipé 0 – 2 Espanha
Tailândia 1 – 2 Argentina

1/2 Final

Rússia 0 – 2 Itália
Espanha 2 – 0 Argentina

5/8 Lugar
Portugal 0 – 2 Venezuela
China Taipé 2 – 0 Tailândia
7/8 Lugar
Dia 16-07-17
Tailândia 0 – 2 Portugal
5/6 Lugar
Dia 16-07-17
Venezuela 2 – 1 China Taipé
3/4 Lugar
Rússia 1 – 2 Argentina
Final
Itália 1 – 2 Espanha

Classificação Final – 1.º Espanha, 2.º Itália, 3.º Argentina, 4.º Rússia, 5.º Venezuela, 6.º China Taipé, 7.º Portugal, 8.º Tailândia, 9.º Paquistão, 10.º Austrália, 11.º Paraguai, 12.º Maurícias, 13.º , 14.º , 15.º

Femininos

HUNGRIA CAMPEÃ MUNDIAL
(Portugal 4.º Classificado)
(Foto IHF)
1/4 Final

Dia 15-07-17
Holanda 2 – 0 Tailândia
Argentina 2 – 1 China
China Taipé 1 – 2 Portugal
Hungria 2 – 1 Espanha

1/2 Final

Holanda 2 – 0 Argentina
Portugal 0 – 2 Hungria

5/8 Lugar
China Taipé 0 – 2 Espanha
Tailândia 2 – 1 China
7/8 Lugar
Dia 16-07-17
China Taipé 0 – 2 China
5/6 Lugar
Dia 16-07-17
Espanha 2 – 0 Tailândia
3/4 Lugar
Argentina 2 – 1 Portugal
Final
Holanda 1 – 2 Hungria

Horas Locais

Classificação Final – 1.º Hungria, 2.º Holanda, 3.º Argentina, 4.º Portugal, 5.º Espanha, 6.º Tailândia, 7.º China, 8.º China Taipé, 9.º , 10.ºVenezuela, 11.º Paraguai, 12.º Samoa Americana, 13.º , 14.º Maurícias, 15.º

Beatriz Sousa, foi ainda considerada a melhor especialista do Campeonato. Os nossos parabéns.

Com a vitória nas 1/2 Finais nos Femininos, Portugal garantiu desde logo o apuramento para os Jogos Olímpicos da Juventude em 2018, na Argentina. Em Masculinos, Portugal como 4.ª equipa Europeia, terá fracas possibilidades de vir a participar nos referidos jogos.

Informamos de que os apuramentos para os jogos Olímpicos da Juventude a serem disputados em Buenos Aires (Argentina) em Outubro de 2018, foram os seguintes:

Masculinos

África – 1 equipa – Maurícias
Ásia - 2 equipas – China Taipé e Tailândia.
Europa – 3 equipas – Espanha, Itália, e Rússia.
Paramérica – 2 equipas – Venezuela e Paraguai.
Oceânia – 1 equipa – Austrália.

Femininos

África – 1 equipa – Maurícias
Ásia - 2 equipas – Tailândia e China.
Europa – 3 equipas – Hungria, Holanda e Portugal.
Paramérica – 2 equipas – Venezuela e Paraguai.
Oceânia – 1 equipa – Samoa Americana

Com a Argentina como organizadora a ter lugar garantido em ambos os géneros, o que pode proporcionar a subida de uma outra equipa aos Jogos.

O Noticias

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Bola No Ângulo – Crónica VI

As equipas B

O novo regulamento para as equipas B (ou clubes com mais do que uma equipa por escalão) foi já abordado na blogosfera. Urge, no entanto, discutir esta questão mais incisivamente e sobretudo reflectir o papel dos clubes neste processo.

Uma vez mais a Federação, na minha opinião, dá sinais de falta de competência. Esta modificação regulativa é desadequada para a realidade do nosso andebol, com a agravante de ter acontecido num tempo dúbio. Não esqueçamos que esta alteração acontece, coincidentemente, depois de alguns clubes terem prevaricado ou contornado o regulamento anterior com a utilização indevida de atletas da equipa A na equipa B (clubes esses que não foram punidos).

A criação das equipas B aconteceu, presumo, com o objectivo de captar mais atletas para a modalidade, aumentar o sucesso na selecção de talentos e também como ferramenta pedagógica de formação, tudo isto, sem comprometer a verdade desportiva.

Neste sentido, o novo regulamento levanta desde já dúvidas no plano ético. Será justo um clube possuir dois clubes na mesma divisão? Depois, todos os outros objectivos são postos em causa, principalmente o mais importante, a componente pedagógica. Vejamos exemplos práticos.
  • Um escalão de iniciados de um clube com 24 atletas e com direito a participar no campeonato nacional dificilmente criará uma equipa B. Com este modelo o clube fica demasiado exposto à mínimo erro. Se tiver um conjunto de atletas lesionados, indisponíveis ou que desistam ficam sem quórum. O que acontece é que o treinador começa a excluir atletas porque não consegue gerir um plantel tão grande para uma equipa só. Os atletas desistem. No modelo antigo isto não acontecia. O clube inscrevia o mínimo de atletas na equipa A e ia gerindo a idas dos atletas da equipa B à equipa A. O facto de todos os atletas terem mais oportunidade de jogar fazia com que se criasse uma sinergia propícia à entrada de novos atletas. 
  • Como sabemos o escalão de infantis é premente a muitas entradas de novos jogadores. Imaginemos que o clube x decide fazer duas equipas. Os treinadores são obrigados a fazer a divisão. Ao longo do ano começa-se a observar que alguns atletas da equipa B começam a evoluir e a chegar ao nível dos da equipa A. O treinador neste caso fica impedido de o fazer transitar para um ambiente mais adequado ao seu nível. O mesmo principio se aplica para o treinador que pretende castigar um atleta seu ou premiar um da equipa B. Outro exemplo, se dois ou três jogadores dos infantis A desistem, o clube não os pode substituir por outros atletas da equipa B. Tem que integrar dois ou três jogadores sem qualquer tipo de experiência na equipa mais competitiva.
Este regulamento não serve se o objectivo é ter mais e melhor formação justamente porque subverte os objectivos da criação das equipas B. Compreendê-lo-ia única e exclusivamente caso houvesse em Portugal 20 clubes magistrais a trabalhar a formação e que tivessem uma segunda equipa no escalão com um nível muito superior às restantes equipas. Coisa que em Portugal não se passa. Teria sido melhor manter como estava.

Mais grave ainda é como os clubes aceitam isto passivamente. A impressão empírica que tenho é que ninguém está de acordo com isto. Se assim é porque é que os Presidentes dos Clubes ou os directores de modalidades não se organizam para obrigar a FAP a recuar nesta medida (e noutras). A FAP existe porque existem clubes e não o contrário.

Renato Miranda

sábado, 15 de outubro de 2011

Bola No Ângulo – Crónica V

Esta semana 

Como adepto do andebol nacional foi com felicidade que vi o Sporting ganhar ao F.C Porto na jornada passada (polémicas à parte), que vi a Académica de S. Mamede vencer o ABC em Juniores, que vejo o Águas Santas no topo da classificação do Andebol 1 e o Benfica no topo da Next21. Ainda que a competição vá no início, é bom registar inversões práticas à teoria. São estas surpresas que aumentam o interesse das provas. O jogo Águas Santas x Sporting desta jornada terá condimentos interessantes.

Uma excelente notícia que recebi esta semana foi a informação sobre a organização do campeonato nacional de minis da Associação do Porto. O modelo desta competição aproxima-se em alguns pontos do modelo que defendi na primeira crónica. Haverá um regulamento técnico que impõe a obrigatoriedade de utilização de todos os jogadores inscritos ao jogo e de três sistemas defensivos: hxh, 3:3 e um outro à escolha.

A Associação de Andebol do Porto dá assim provas de competência e seria positivo para a modalidade que as restantes associações adoptassem este modelo.

Fica a faltar um modelo mais informal com jornadas concentradas onde cada equipa disputasse vários jogos. Uma vez que as equipas se deslocam alguns quilómetros para jogar, é mais interessante que disputem três ou quatro jogos do que apenas um jogo (quarenta minutos de duração). Este, aliás, é o modelo aplicado em França. Seria produtivo talvez, aproveitando o facto de as distâncias não serem longas e de criar uma maior sinergia na região, um campeonato inter-regional que incluísse as equipas do Distrito de Braga e Porto. Talvez para o ano isso seja possível. 

Renato Miranda

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Bola No Ângulo – Crónica IV

Viajar

Olhando para os últimos dez anos é incrível verificar a quantidade de mudanças que a formação sofreu. A idade dos escalões mudou no mínimo cinco vezes, as competições, outras tantas, de provas fixas para não-fixas e vice-versa, aumento de zonas, diminuição de zonas, etc..

Discutir os prós e os contras de cada uma destas mudanças seria improdutivo nesta altura. O importante aqui resume-se em perceber á luz de que estratégias se procederam a todas estas alterações. Que resultados se obtiveram, se a maior parte das alterações não teve tempo de maturar? A resposta fica para cada um.

A ehfTV, para além de proporcionar jogos de andebol ao mais alto nível, mostra-nos indirectamente como alguns países com algumas similitudes com Portugal tem preservado ou mesmo desenvolvido o nível do seu andebol.

Penso que está na hora de estudarmos o que se faz por esses países, de percebermos como formam eles os seus atletas, como organizam as competições nas diferentes idades, confrontar isso com as nossas especificidades culturais, demográficas, geográficas e económicas e criar um projecto baseado em conhecimento concreto, com uma data de implementação e uma data de avaliação.

Tal como referiu Manuel Laguna, no seu artigo Jugar y hacer jugar, que a Espanha nos anos setenta se dedicou a aprender com os países mais fortes desse período (Los grandes maetros Rumanos), está na hora de Portugal aprender com os comparsas europeus e servir-se dos exemplos da Sérvia e da Bósnia Herzegovina que em contextos políticos difíceis conseguem manter a sua competitividade.

Renato Miranda

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Bola No Ângulo – Crónica III

O próximo modelo de Juvenis: manifesto contra elitização prematura

Eu não tenho grande paciência para ler regulamentos e comunicados, é literatura que não me atrai. Foi por isso com espanto que recebi via amigo a notícia de que a federação pretende instituir na próxima época uma zona única na primeira divisão nacional de juvenis.

Isto é absolutamente ridículo. Esta ideia preconizada pela federação de que a chave do desenvolvimento do andebol está na elitização da formação (elitização prematura) é uma tremenda falácia. Um embuste. Não há desenvolvimento sem competição e a competição só existe com diversidade e pluralidade. Mais importante do que a elite, é a qualidade da elite. A ideia da federação (responsáveis desportivos) é mais ou menos como sermos os melhores em nossa casa, o problema é quando saímos à rua.

Ora, este modelo serve apenas aos clubes com poder económico para recrutar jogadores a outras equipas. Não me admira que o F.C. do Porto tenha acabado com a sua formação de base e mais admirado estou que o Benfica tenha apostado este ano na formação.

Esta política (arte de regular) é destruidora de clubes e de promessas. Já nem falo, relativamente ao caso prático, nas questões económicas e no investimento de tempo que adolescentes em idade escolar decisiva terão que fazer.

O nosso desenvolvimento depende muito da capacidade de todos os clubes sonharem em ser elite, em chegarem ao topo (através de uma conduta ética, subentenda-se). É neste processo que aparecerão grandes equipas e grandes jogadores. Porque, senhores que mandam, os talentos não nascem todos na mesma cidade.

Renato Miranda

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Bola No Ângulo – Crónica II

Onde andas rapaz?

O andebol é um desporto espectacular. Visto ao vivo ainda mais espectacular se torna. A força física dos jogadores, os remates potentes de meia-distância, as acrobacias dos pontas, as grandes defesas dos guarda-redes … e a descrição poderia continuar. Mas o que realmente me fascina no andebol é a formação. A formação ultrapassa a beleza estética de um jogo e a emotividade de um campeonato, justamente, porque é muito mais do que isso.

Haverá algo mais envolvente do que ver um grupo de miúdos de dez anos começarem os seus primeiros passos na modalidade, e divagar sobre o futuro dos mesmos?! Qual deles dará Jogador? Terão condições sociais que favorizem o seu desenvolvimento? Que métodos de treino poderão potenciar as suas qualidades? Como irão ultrapassar a fase da puberdade? Os treinadores dos escalões subsequentes trabalharão com seriedade, com qualidade? Os clubes terão capacidade financeira para lhes proporcionar uma formação de qualidade?

É caso para responder que a dúvida é a única certeza.

Por esses pavilhões fora, também eu fui fazendo a minha futurologia e as minhas apostas, particularmente sobre os atletas das gerações de 1993, 1994 e 1995 que tive a oportunidade de acompanhar mais de perto. Estas gerações aproximam-se do fim do seu ciclo de formação e eu começo a fazer os meus pré-balanços. Confesso que não ando sorridente. A minha grande aposta está longe de ser o que eu esperava dele já nesta altura. Ainda assim continuo a manter a minha esperança.

Nos últimos anos, o atleta que mais me encheu os olhos foi o Nuno Carvalhais, actualmente, penso, atleta juvenil do F.C. Porto. Para mim ele representa o perfil de jogador que tanto precisamos no nosso andebol e que é tão raro encontrar: o atleta de grande estatura que tem grandes qualidades técnicas; o atleta com as características ideais para a utilização dos sistemas defensivos fechados com que as equipas estrangeiras tanto nos têm derrotado; o atleta com capacidades, a priori, para ser eficaz contra equipas que utilizem sistemas defensivos fechados. Ainda que lhe identificasse algumas fragilidades emocionais, pensava que nesta altura ele já seria júnior incontestável e sénior debutante.

Deixo, portanto, uma mensagem ao atleta em questão, para que ultrapasse lesões e momentos menos positivos, para que amadureça e se assuma como grande jogador que tem qualidade para ser e ao F.C. Porto, para que não desperdice um atleta com estas características e com estas qualidades. Eu quero ganhar a minha aposta.

Renato Miranda

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Federação, clubes e a selecção precoce

A política federativa tem gerado bastante contestação (uma contestação passiva, diga-se) em Portugal nestes últimos anos. Eu perfilo-me nos críticos. Não posso corroborar com uma federação que não tem tratado os seus clubes da mesma forma, que não assume compromissos financeiros (uma vergonha a questão da remuneração dos árbitros, a federação que tem por hábito castigar alguns clubes incumpridores), que sobrecarrega financeiramente os clubes e que tem levado a cabo um conjunto de medidas técnicas e organizativas desastrosas para o sector da formação (o novo regulamento da equipas “B” e primeira divisão nacional única em juvenis no próximo ano, são alguns dos exemplos).

Mas desengane-se quem fica somente pela federação na hora da crítica. Esta federação é também o reflexo das lideranças existentes nos clubes, que por sua vez – podíamos continuar infinitamente – são reflexo duma cultura instalada. Ganhar rápido, ganhar mesmo que isso signifique hipotecar o futuro, ganhar sem ética se necessário. Este é o modus operandi desportivo em Portugal.

Os clubes são responsáveis pelo estado das coisas e muito pouco se tem dito sobre isso. Ora pela sua passividade, ora pela sua conivência e incompetência. O que digo é tão verdade que perante o aumento dos encargos financeiros exigidos pela federação no final da época passada, não tão só os clubes não se souberam unir para reivindicar os seus direitos como nem sequer foram capazes de rever o seu projecto desportivo e migrar para as competições regionais.

Na formação, constatámos o exemplo perfeito do mea culpa entre clubes (excluo a referência directa às associações por serem os representantes dos clubes) e federação, e das suas mais elementares más práticas. A federação porque não “legisla” (regulamentos técnicos), os clubes porque não se auto-disciplinam. A selecção de talentos nos clubes em Portugal tem-se feito precocemente e baseada em princípios imediatistas. É prática vulgar observarmos nos escalões de formação de base a utilização parcial dos atletas convocados ao jogo. Isto quer dizer que os treinadores não têm em conta os diferentes ritmos de desenvolvimento de cada atleta e começam a escolher/excluir os atletas demasiado cedo, em função de objectivos de curto prazo. Por arrasto, os treinadores e clubes que seguem esta lógica não promovem também como deveriam o recrutamento de novos atletas para a modalidade.

Penso que uma equação matemática complexa não nos elucidará a quantidade de atletas que desistem da modalidade prematuramente e que teriam potencialidades para serem jogadores de alto nível. Não é espanto nenhum verificar que nas primeiras divisões de juvenis e juniores, as equipas apresentem médias de altura tão baixas na meia-distância e que são muito poucas as que têm esquerdinos nos dois postos destinados.

Não compreendo como um problema desta envergadura tem passado despercebido ao responsável pelas selecções nacionais jovens, aos responsáveis técnicos das associações e aos coordenadores e treinadores dos clubes. Embora não seja o meu domínio, tenho ideia que existe nos escritos académicos unanimidade sobre o assunto, nos próprios cursos de treinadores ministrados pela federação/Formand onde estive presente, é veiculada a ideia dos princípios pedagógicos, da necessidade de promover o desenvolvimento integral do atleta e que a selecção precoce é um método incorrecto.

Para reverter este problema, é urgente a instituição por parte da federação e das associações, tal como era prática à dez anos atrás, de um regulamento técnico-pedagógico adaptado às características de cada escalão de base que obrigue a utilização de todos os atletas inscritos ao jogo e que incentive, isso penso que já é feito, a que os clubes inscrevam no boletim de jogo o máximo de jogadores permitidos. É preciso mudar os regulamentos actuais das equipas “B” que não permitem uma gestão do número de atletas competente (esta temática daria uma interessante crónica) e a natureza das competições deveria ser mudada: integrar competições mais informais (torneios, taças, pequenos campeonatos) na primeira metade da época, deixando as competições mais formais (campeonato nacional) para o resto da época.

Quanto aos clubes, é fundamental que os dirigentes avaliem os seus treinadores não com base nos resultados desportivos mas na forma como os treinadores alcançam esses resultados desportivos, ainda que seja o último lugar na segunda divisão nacional. A formação é um trabalho de paciência. Um atleta antes de chegar a sénior cumpre em média 8 épocas de formação. São necessários projectos desportivos a longo prazo e não de curto prazo. Que sentido faz ganhar um campeonato nacional de infantis se depois nenhum desses atletas chega a sénior de alto-nível?

Espero que os leitores entendam a minha crítica. Evidentemente que nem tudo no andebol é mau. O meu objectivo não é criticar gratuitamente. Critico porque quero um andebol melhor, um andebol com clubes na liga dos campeões, uma selecção capaz de ganhar a qualquer outra selecção e, sobretudo, a minha crítica baseia-se no balanço entre o que somos e aquilo que teríamos possibilidade de ser. A grande questão do andebol reside nesta premissa.

Renato Miranda