Crónica exclusivamente dedicada
ao Feminino.
PO09 – Campeonato Nacional da 1.ª Divisão
Seniores Femininos.
1.ª Fase – Resultados
2.ª Jornada
Madeira SAD 25 – 14 Juventude Mar
CS Madeira 26 –
28 João Barros
3.ª
Jornada
Alpendorada 25 –
26 CA Leça
JAC-Alcanena 23 –
25 Maiastars
Alavarium 21 – 21 Juventude Lis
Colégio Gaia 33 – 31 Passos Manuel
Madeira SAD 24 – 16 João Barros
CS Madeira 28 – 23 Juventude Mar
Jornada
espetacular! Surpresas, equilíbrio, um jogo grande e o primeiro escândalo da
época. Vamos começar pelo jogo grande e deixar para o final o primeiro
escândalo da época.
No Funchal, este Domingo,
esperava-se um grande encontro de andebol entre candidatos ao título. Contudo,
a superioridade do Madeira Sad foi tão evidente que o jogo não teve o
equilíbrio esperado nem a emoção que condimenta estes grandes jogos. As
madeirenses esmagaram o Colégio João de Barros logo na primeira parte, com uma
defesa de grande nível e uma facilidade muito grande de sair em contra-ataque.
Na segunda parte, bastou gerir o jogo de uma equipa em que Ana Andrade e
Cláudia Aguiar foram os seus grandes motores e Erica Tavares a mostrar que a
sua contratação foi uma jogada de mestre dos responsáveis madeirenses. Depois
da vitória na Supertaça, esta vitória categórica faz com que o Madeira Sad
mostre que é forte candidato ao título e vá fazendo cair por terra as nossas
previsões. O Colégio João de Barros foi uma enorme desilusão. Depois do péssimo
jogo na primeira jornada diante da Juve Mar, a equipa de Pombal voltou a
mostrar uma qualidade ofensiva muito fraca e, tal como prevíramos, a saída de
Dulce Pina foi um golpe demasiado duro para esta equipa. Curiosamente, foi um
dos reforços (Maria Suaré) quem mais se destacou, mas no geral a fraqueza da
equipa foi evidente e há muito trabalho pela frente se a equipa de Paulo Félix
quer ser de novo candidata ao título.
Já na véspera, o Colégio João de
Barros tinha deixado uma pálida imagem ao vencer, nos últimos minutos, o Sports
Madeira. Depois de uma primeira parte consistente, a equipa pareceu quebrar
fisicamente no segundo período e muito perto do final, o encontro esteve
empatado, pairando no ar a possibilidade de uma grande surpresa mas, perto do
final, o Colégio João de Barros conseguiu retomar a liderança, num jogo em que
as jovens Gizelle Carvalho e Francisca Marques foram as melhores de uma equipa
que não ganhou para o susto e que está longe do que pode produzir. O Sports
Madeira fez um jogo cheio de alma, com Sara Gonçalves a mostrar de novo alegria
com a camisola do Sports vestida e a fazer uma grande exibição, muito bem
acompanhada pela central Mónica Gomes que compensas as suas limitações físicas
com uma excelente cultura tática. As madeirenses estiveram a um passo de uma
grande surpresa mas algumas falhas nos momentos decisivos impediram-nas de
conseguir esse resultado mas conseguiram uma ótima exibição.
Mas, no Domingo, conseguiram
mesmo essa vitória diante da Juve Mar. Sara Gonçalves voltou a ser a estrela,
assinando uma grande exibição, mostrando que nesta altura é a melhor ponta
esquerda portuguesa e liderando uma equipa cheia de jovens, com potencial mas
ainda verdes. Mas a garra desta equipa faz com que seja muito competitiva e
consiga ser superior às equipas mais fracas do campeonato, batendo-se depois
com as melhores. A Juve Mar fez um jogo abaixo do que pode fazer. Viveu do
talento de Teresa Santos e Andreia Barros mas defensivamente não tiveram a consistência
habitual, não conseguindo por isso estar nunca perto de discutir um encontro em
que certamente esperariam alcançar outro resultado.
No Sábado, a Juve Mar já tinha
sido derrotada pelo Madeira Sad, um resultado normal em que a equipa de Paulo
Martins optou por manter um ritmo baixo de jogo, de forma a tentar neutralizar
os contra-ataques madeirenses e a poupar a sua equipa para o jogo do dia
seguinte. Talvez por isso, o jogo tenha sido monótono e aborrecido. Andreia
Barros foi a única jogadora que se destacou na Juve Mar, provando que continua
a ser uma pivot de grande qualidade. O Madeira Sad jogou quanto baste, pensando
também no grande jogo que teria no dia seguinte e obteve uma fácil vitória com
a pivot Renata Tavares em excelente plano e com Érica Tavares a ter excelentes
pormenores, mostrando-se cada vez mais integrada nas vice-campeãs nacionais.
Em Gaia, ia acontecendo uma
enorme surpresa. O Colégio de Gaia esteve, perto do final, a perder com o
Passos Manuel, conseguindo vencer nos últimos minutos. Uma exibição muito mal
conseguida da equipa de Gaia, defensivamente a equipa esteve sempre uns furos
abaixo do aceitável e parece que Paula Castro tem dificuldades em conseguir
gerir as várias soluções que dispõe. Bebiana Sabino fez um grande jogo, Sandra
Santiago não esteve mal, mas a equipa está longe do que pode produzir se se
quiser afirmar como uma das candidatas ao título. Há que defender melhor e só
quando a equipa de gaia se consciencializar disso é que pode elevar o seu nível
qualitativo. Pelo contrário, o Passos Manuel está a começar muito bem a época,
com excelentes exibições, mostrando que tem valor para permanecer na primeira
divisão. Carolina Santos pode muito bem ser uma das grandes revelações deste
campeonato pela explosividade que mostrou e a sua irmã, Cátia Santos, é muito
consistente e é capaz de marcar golos quando quase ninguém espera. Faltou
alguma experiência para que o Passos saísse de Gaia com outro resultado, mas
decerto que o seu treinador estará contente com a prestação da sua equipa.
Em Alcanena houve mesmo surpresa,
com o Maiastars a ir bater o Jac. A equipa da Maia parece dar-se bem com os
ares de Alcanena pois já em outras épocas conseguiu vencer neste pavilhão. O
jogo foi durinho e foi essa agressividade defensiva uma das melhores armas do
Maiastars que conseguiu neutralizar o ataque adversário. Depois, no ataque, a
revelação da época passada, Diana Oliveira, encarregava-se de marcar muito bem
acompanhada por Catarina Sampaio que começa a época em grande forma. Vitória
importante e moralizadora para o Maiastars diante de um JAC que desiludiu e que
começa o campeonato a vacilar. Rita Alves fez um jogo péssimo e a equipa foi
aguentando através das inevitáveis Patrícia Rodrigues e Neuza Valente.
Esperava-se uma evolução da equipa de Alcanena mas quer na segunda metade da
época passada, quer no início desta época, a equipa não evoluiu. Será que, tal
como o Maiastars, é apenas um clube talhado para a formação?
Em Alpendorada, jogo emocionante
entre duas equipas cujo objetivo é a manutenção. Excelente vitória do Cale cujo
plantel é claramente curto mas em que 3 jogadoras bastaram para deitar abaixo o
Alpendorada. Fantástica a exibição de Ana Lopes muito bem acompanhada pela
inevitável Cristiana Morgado e Daniela Mendes. Mas, sobretudo, foi a notável
aplicação defensiva que esteve na origem desta importante vitória para as
aspirações do Cale. Do outro lado, a esquerdina Tânia Braga mostrou que é uma
das mais talentosas esquerdinas do andebol português bem acompanhada por Josiane
Costa, mas falta ainda ritmo de primeira divisão a uma equipa que tem muito
talento mas que precisa de ganhar mais maturidade se se quer aguentar na
primeira divisão.
Finalmente, o escândalo. Em
Aveiro, as campeãs nacionais deixaram-se empatar com a Juve Lis. As leirienses
realizaram uma exibição muito personalizada, mostrando uma vez mais capacidade
de superar as importantes saídas de Ana Gante e Francisca Martins. Ana Carolina
Silva está a realizar um grande início de campeonato e esteve verdadeiramente
imparável, muito bem acompanhada pela outra atiradora Patrícia Mendes. Mas um
dos segredos da vitória esteve na defesa bastante eficaz da Juve Lis e numa
segura exibição da sua guarda-redes Sofia João. Excelente e inesperado arranque
de campeonato da Juve Lis que culmina na maior surpresa do campeonato até ao
momento. Quanto ao Alavarium, um resultado que combina com a exibição: uma
desilusão. Uma equipa cheia de talento e soluções não consegue ter um fio de
jogo ofensivo aceitável. Defensivamente, a equipa não conseguiu parar Ana
Carolina Silva mas a grande lacuna foi no ataque onde apenas Mariana Lopes e
Mónica Soares jogaram a um bom nível. A equipa não joga à velocidade do passado
e está longe da equipa que se pensava dominar a temporada. Bem sabemos que a
saída do carismático treinador Ulisses Pereira ia causar algum abalo mas a
correta aposta na continuidade, através do seu treinador adjunto Carlos Neiva
parecia garantia de sucesso. Mas ele terá muito que trabalhar com as suas
atletas para por o Alavarium a jogar como campeão nacional. Para já, uma
escorregadela completamente inesperada.
Infelizmente,
a colaboração dos Críticos Femininos com o Banhadas chega ao fim com esta
crónica. Dois dos seus três colaboradores irão emigrar e deixaremos de ter condições
para escrever com o detalhe com que sempre fizemos nos últimos anos. Se algum
de nós regressar a Portugal nos próximos anos poderemos pensar num regresso.
Mas estamos certos que o Banhadas irá manter uma boa análise do nosso
campeonato.
A Administração
do Banhadas Andebol, não quer deixar passar em claro, esta ocasião para fazer
um agradecimento público a estes colaboradores, que agora por motivos óbvios nos
abandonam. Aos Críticos Femininos o nosso muito obrigado pela colaboração
desinteressada que sempre prestaram, esperando que num futuro vocês consigam
voltar. Aproveitamos a ocasião para
solicitar a quem nos lê e esteja disposto a colaborar no setor feminino, será
sempre bem-vindo.
Críticos
Femininos