Na
semana passada, deixámos aqui uma análise detalhada às primeiras 6
classificadas da primeira fase do Campeonato Nacional da 1ª Divisão. Esta
semana é hora de analisar as restantes 6 equipas.
COLÉGIO DE GAIA: Que época tão irregular do Colégio de Gaia?
Excelente começo, depois o “miolo” do campeonato com resultados muito abaixo do
esperado e depois uma ponta final, de novo, em crescendo. Uma equipa capaz de
tudo mas em é claro o declínio daquela que já foi uma das melhores equipas do
andebol português e agora está já na segunda metade da tabela.
Estrelas: Vanessa Silva,
Helena Soares e Fernanda Carvalho. Vanessa Silva fez a melhor época da sua
carreira. Uma capacidade fantástica de uma das poucas esquerdinas com qualidade
em Portugal. Que pena não estar disponível para a selecção? Helena Soares está,
mais uma vez, a realizar uma excelente época, conseguindo compensar a sua baixa
estatura com uma capacidade de luta enorme e com uma técnica de pivot
verdadeiramente invejável. Fernanda Carvalho reapareceu neste final da época,
depois de alguns meses a jogar muito abaixo do que sabe devido a problemas
físicos. E ela acaba de ser o barómetro deste Colégio de Gaia?
Treinadora:
Paula Castro. Antiga selecionadora nacional, no ano passado, apareceu como
concorrente num concurso televisivo. Apesar de criticada, Paula Castro sabe
muito de andebol. Tem uma experiência enorme e percebe o jogo. Contudo, a sua
capacidade de liderança é muito discutível e a sua exigência nos treinos muito
abaixo do aceitável. Confidenciam-nos algumas jogadoras de que os treinos são
muito mais relaxados e sem intensidade do que deveriam ser mas também as mesmas
jogadoras dizem que aquele grupo não está preparado para alguém mais exigente e
seria o fim do Colégio se aparecesse outro tipo de treinador.
Pontos
fortes: Tem algumas jogadoras com muita experiência e capazes
de realizar grandes jogos em contextos adversos. Talvez a equipa que melhor
consegue fazer a ligação entre a sua primeira linha e a sua pivot.
Pontos
fracos: Débil condição física, sendo uma das piores equipas do
campeonato a recuperar defensivamente. O posto de guarda-redes que no passado
era um dos pontos fortes do Colégio de Gaia, esta época tem sido um dos seus
calcanhares de Aquiles.
Previsão:
5º lugar. Não acreditamos que o Colégio de Gaia consiga superar
o Colégio João de Barros, mas a subida de forma da equipa e a experiência das
suas jogadoras, fazem-nos acreditar que vencerá as outras duas eliminatórias de
consolação e alcançarão o 5º lugar.
MAIASTARS: A
equipa da Maia, sem fazer uma época brilhante, carimbou o seu passaporte para
os playoff e consegue atingir o objetivo que se propôs.
Estrelas:
Olinda Leal, Filipa Correia e Ana Silva. Olinda Leal é o motor desta equipa.
Por ela passa todo o jogo ofensivo do Maia e nos jogos em que não rende (ou
está lesionada), o Maiastars é uma sombra do que costuma ser. Filipa Correia
foi uma excelente aquisição por parte do Maiastars e tem sido uma das
revelações do campeonato. Pena que nem sempre treine com a assiduidade das suas
colegas. Ana Silva está de novo a fazer uma boa época e é das poucas
esquerdinas com qualidade. É verdade que a sua baixa estatura a limita ao mais
alto nível, mas em muitos jogos ela é decisiva.
Treinador:
José Carlos Ribas. Um dos responsáveis do desporto da Câmara Municipal da Maia
é uma personalidade muito forte do andebol feminino em Portugal e, além de
treinador, é presidente do clube, sendo o grande responsável pelo sucesso do
Maiastars, sobretudo, nos escalões jovens nacionais. No entanto, José Carlos
Ribas, nesta época, está constantemente a queixar-se das questões da
arbitragem, falando sistematicamente no “sistema”, chegando a cair no ridículo.
É um treinador muito duro para as suas jogadoras mas confidenciam-nos algumas
jogadoras do Maiastars: “Preferimos um treinador que nos berre e que seja
exigente como o Ribas do que uma treinadora que deixa fazer tudo o que quer
como a Paula Marisa”.
Pontos
fortes: O seu contra-ataque é a sua principal arma. As
jogadoras têm isso no seu ADN e o Maiastars tem nele a sua principal arma.
Praticamente, só têm um sistema defensivo (6x0) mas fazem-no de uma forma muito
consistente e conseguem ser muito eficazes. O último ponto forte é a sua
liderança. Olinda Leal é uma verdadeira líder dentro de campo e isso nota-se.
Pontos fracos:
Já o dissemos algumas vezes nas nossas crónicas ? o ataque do Maiastars é o
mais arcaico do campeonato, com combinações ofensivas do século passado. Outro
ponto fraco é a ausência de rematadoras, o que faz com que tenham grandes
dificuldades a atacar defesas recuadas. Por último, o facto de praticamente
apenas conseguirem defender no seu 6x0 faz com que a equipa tenha dificuldades
quando tem que alterar o seu sistema defensivo em função do jogo.
Previsão:
8º lugar. O Maiastars já atingiu o seu objectivo e está de
parabéns por isso. Duvidamos que consiga ganhar qualquer eliminatória nestes
playoffs, pelo que prognosticamos o 8º lugar.
JUVE MAR: Partia
para o campeonato como a equipa com menos valores individuais mas mostrou que o
espírito de equipa e trabalho colectivo podem contrariar isso, falhando por
pouco o acesso aos playoff.
As
estrelas: Teresa Santos e Ana Couto. Teresa Santos esteve
lesionada uma boa parte da época e não foi por acaso que o seu regresso marcou
também o início da recuperação da Juve Mar. Excelente capacidade de um contra
um torna-a uma jogadora temida. Ana Couto é uma das grandes revelações da
competição. Jogadora de uma estatura muito baixa, tem uma enorme facilidade em
sair para o contra-ataque e isso até tem mudado um pouco o estilo de jogo da
formação de São Bartolomeu do Mar.
Treinador: Paulo Martins. Um
dos “dinossauros” do andebol feminino em Portugal e dono de um restaurante onde
se come muito bem para os lados de Esposende. O seu profundo conhecimento sobre
as equipas e jogadoras dá-lhe uma grande vantagem na preparação dos jogos. Pena
não serem feitas mais entrevistas a Paulo Martins já que gosta da polémica e de
dizer o que vai mal no nosso país andebolístico. Algumas jogadoras
confidenciaram-nos que todas têm uma relação fantástica com o seu treinador mas
que parece algo acomodado nos últimos anos, baixando o seu nível de exigência e
que ele próprio já admitiu isso.
Pontos
fortes: Grande espírito coletivo numa equipa onde não estrelas,
remando todas para o mesmo lado. Além disso, a sua excelente adaptação
defensiva face aos vários adversários que encontram, tornam a Juve Mar uma
equipa difícil para os seus adversários marcarem golos.
Pontos
fracos: Ausência de rematadoras de qualidade, o que torna a
equipa muitas vezes inofensiva. Falta de um contra-ataque apoiado mais
sistemático e organizado. Por último, quer atletas, quer treinador e,
sobretudo, o clube, parecem ter pouca ambição, o que dificulta chegar mais
alto.
Previsão:
10/11º lugar. Temos muita dificuldade em saber se a Juve Mar
vai evitar a despromoção. Parte com pontos de vantagem acumulados desta fase,
mas não sabemos se chegará. De qualquer das formas, como acreditamos que o
Madeira Sad chegará ao final este ano, qualquer uma destas posições pode
significar a manutenção que é o grande objetivo da Juve Mar.
CALE: Uma das
grandes desilusões da competição. Era claramente candidato a chegar aos playoff
e o Cale acaba a primeira fase num desolador 10º lugar.
As
estrelas: Sofia Mota e Sara Amorim. Sofia Mota tem-se afirmado
como a grande arma ofensiva da equipa de Leça. Utilizada na selecção das
juniores A como ponta esquerda, no Cale é a atiradora de serviço e tem estado
em destaque. Sara Amorim é uma das boas surpresas desta competição. A jovem
Guarda-redes baixou um pouco de produção nas últimas jornadas, mas teve uma
época recheada de boas exibições, sendo a sua capacidade de reagir rapidamente
aquilo que mais se destaca.
Treinador:
Vasco Ramos. Conhecido pela sua voz forte e contestação aos árbitros, é também
um dos mais apaixonados treinadores do andebol feminino. Não tem conseguido
transmitir o seu lema de uma defesa agressiva como base para o sucesso para as
suas atletas. Ao contrário da época passada, a equipa é macia a defender e não
há ninguém a quem isso incomode mais do que o Vasco Ramos. Algumas das suas
atletas confidenciaram-nos que, apesar daquele aspeto bruto e agressivo, o
Vasco é alguém muito afável e que trabalha muito para o Cale ser melhor. E a
verdade é que Vasco Ramos é peça chave num dos clubes que melhor trabalha no
andebol feminino em Portugal. Já vai é sendo tempo de Vasco Ramos, tal como
José Carlos Ribas e Marco Santos, se preocupar menos com os árbitros pois nunca
poderá mudar a sua forma de apitar.
Pontos
fortes: Espírito de luta. O Cale continua a bater-se sempre do
princípio ao fim, sendo uma equipa à imagem do seu treinador. Por outro lado,
apesar de estarem menos agressivas do que na época passada, o Cale continua a
ser uma equipa com bons princípios defensivos e que ganha quase sempre os
duelos individuais.
Pontos
fracos: A baixa estatura limita muito o jogo da equipa de Leça.
Além disso, o seu contra-ataque direto praticamente não existe e o
contra-ataque apoiado é demasiado desorganizado para ser eficaz. Além disso, a
equipa comete muitas falhas técnicas sem qualquer pressão das adversárias, algo
impensável para quem queria ir aos playoff.
Previsão:
9º lugar. Apesar de partir para a fase final com menos pontos acumulados do que
a Juve Mar, estamos em crer que o Cale vai conseguir alcançar o 9º lugar e
alcançar, de novo, a manutenção. Seria uma enorme surpresa e desilusão se tal
não acontecesse.
PASSOS MANUEL:
Um início de campeonato muito difícil, fruto do calendário difícil, da ausência
de algumas jogadoras e de uma dificuldade de adaptação à 1ª Divisão. Depois, o
Passos subiu muito de produção e acabou esta primeira fase a conseguir competir
com quase todas as equipas.
As
estrelas: Cátia Santos, Carolina Santos e Maria Suaré. Cátia
Santos foi a mais regular jogadora da equipa ao longo de toda a época. Parece
uma jogadora pesada, mas é uma falsa lenta e tem uma enorme facilidade de
remate. Carolina Santos, irmã de Cátia, só regressou de uma grave lesão a meio
da época e tem sido a melhor jogadora da equipa na segunda metade, fruto da sua
velocidade e explosividade. Hesitámos em colocar aqui Maria Suaré porque
deveria ser a mais decisiva jogadora da equipa mas tem sido muito irregular.
Uma das melhores atiradoras de Portugal, mas alterna jogos bons com jogos em
que parece que nem está ali.
Treinador:
Hélder Fonseca. Na sua primeira experiência no andebol feminino, o desafio era
difícil: Tentar sobreviver na 1ª Divisão. O início foi turbulento com
dificuldade em que as jogadoras assimilassem métodos e com dificuldade em
analisar os adversários. Mas Hélder Fonseca conseguiu manter as atletas
motivadas, assimilaram métodos e esta segunda volta tem sido já mais à sua
imagem, melhorando muito, sobretudo a nível defensivo. Hélder Fonseca nem
sempre tem a flexibilidade essencial e essa intransigência valeu-lhe perder
Dulce Pina que, no início do ano, foi treinar ao clube lisboeta.
Confidenciam-nos as suas jogadoras que “o Hélder andou um pouco perdido no
início e nós não estávamos a acreditar nele mas o tempo fez-nos acreditar no
seu trabalho e os resultados começam a aparecer”.
Pontos
fortes: Espontaneidade no remate da maior parte das suas
jogadoras, uma característica muito particular desta equipa. Além disso, aquele
que era o ponto fraco da equipa, a defesa, passou a ser um dos pontos fortes,
com um sólido 6x0, aproveitando a boa compleição física da equipa.
Pontos
fracos: Fraca qualidade das suas guarda-redes e o número muito
elevado de falhas técnicas. Aliás, o seu treinador baixou o ritmo de jogo da
equipa, para reduzir o número de falhas técnicas da equipa e consegui-o até
certo ponto. Mas o grande pecado desta equipa é a deficiente recuperação
defensiva, o que lhes garante muitos golos na sua baliza.
Previsão:
10º/11º lugar. Tal como dissemos em relação à Juve Mar, não
conseguimos dizer qual destas equipas vai escapar à despromoção. O Passos parte
com desvantagem em função dos pontos acumulados nesta primeira fase mas tem a
vantagem de estar, claramente, em crescendo de forma.
SANTA JOANA:
Apenas uma vitória e uma época frustrante para uma equipa que tinha um lote
interessante de jogadoras e que é, sem dúvida, a grande desilusão do
campeonato.
As
estrelas: Marlene Pinto e Maria Domingues. Marlene Pinto carregou,
em muitos jogos, a equipa às costas, sendo uma das melhores atiradoras do
campeonato. Pena o feitio irascível e a dificuldade em conciliar a sua
actividade profissional com o andebol. Maria Domingues, enquanto jogou, era a
única jogadora que conseguia fintar 1x1 e desequilibrar as defesas adversárias.
O seu abandono da equipa foi a última machadada neste clube.
Treinador:
Miguel Solha. Miguel Solha é a prova de que um bom jogador de andebol nem
sempre dá um bom treinador. Não pomos em causa os conhecimentos de andebol de
Miguel Solha mas desrespeita alguns princípios básicos de um treinador de
andebol: Observação dos adversários e exigência nos treinos. Miguel Solha dá
muito pouca atenção aos adversários e aceita que algumas das suas atletas não
treinem e depois sejam das mais utilizadas. Quando assim é, todo o grupo se
ressente. Confidenciam-nos algumas jogadoras que ?O Miguel é uma excelente
pessoa e sabe muito de andebol, mas conformou-se ao facto de neste clube muitas
jogadoras não treinarem e tornou-se pouco ambicioso como a maioria das
jogadas?. Miguel Solha tinha um plantel bem melhor do que muitas equipas e não
conseguiu tirar bom rendimento desse plantel. Será uma grande surpresa para nós
se Miguel Solha continuar no Santa Joana na próxima época.
Pontos
fortes: Qualidade técnica da maior parte das suas jogadoras.
Pontos
fracos: Pouco espírito de sacrifício, deficiente recuperação
defensiva, ridículas combinações ofensivas. Quando vemos algumas combinações
ofensivas do Santa Joana, interrogamo-nos se este Miguel Solha é o mesmo que
jogou andebol em alguns bons clubes.
Previsão:
12º lugar. Esta é a previsão mais fácil de todas. O Santa Joana
ficará em último lugar e desce de divisão. É claramente a mais fraca equipa do
campeonato.
Críticos Femininos