Crónica exclusivamente dedicada
ao Feminino.
PO09 – Campeonato Nacional da 1.ª Divisão
Seniores Femininos.
Play Off - 1/8 Final
2.ª Mão
Alavarium 30 - 19 Maiastars
Madeira SAD 43 - 27 Colégio Gaia
João Barros 33 - 29 CS Madeira
Juventude Lis 12 - 21 JAC-Alcanena
3.ª Mão - Se Necessário
Juventude Lis 27 - 25 JAC-Alcanena
Grupo "B"
2.ª Jornada
Passos Manuel 15 - 26 Juventude Mar
Santa Joana 22 - 21 CA Leça
Campeonato ao rubro! As 3 melhores equipas
nacionais asseguraram a passagem às meias finais e Juve Lis e JAC disputaram um
terceiro jogo num duelo verdadeiramente fratricida e épico com desfecho
favorável às leirienses após prolongamento. E os ambientes de grande entusiasmo
que nestes dois fins-de-semana se viveram em Leiria, em Alcanena, em Aveiro e
em Gaia, por exemplo, mostram bem porque os playoff são a grande festa do
andebol.
Comecemos pela grande eliminatória desta primeira ronda: Juve Lis / JAC. Depois
de uma vitória no prolongamento no primeiro jogo, esperava-se bastante
equilíbrio, mas o segundo jogo foi completamente dominado pelo JAC que fez uma
exibição defensiva verdadeiramente notável, com uma excelente exibição da sua
Guarda-redes. Uma verdadeira lição de bem defender, algo que nem sempre o JAC
faz com qualidade, mas onde esteve perfeito desta vez e no ataque,
naturalmente, Patrícia Rodrigues e Neuza Valente foram responsáveis por quase
todos os golos da sua equipa, o que não abona muito a favor do JAC mas a sua
qualidade defensiva deu para vencer. A Juve Lis fez o seu pior jogo do ano,
completamente dominada pela defesa do JAC e fez, provavelmente, o seu jogo da
época com mais falhas técnicas, revelando um nervosismo difícil de explicar e onde
apenas Ana Gante apareceu de quando em vez.
No Domingo, disputou-se o terceiro e decisivo encontro desta eliminatória. E
foi impróprio para cardíacos. O JAC esteve na frente quase todo o jogo, embora
por vantagens mínimas, conseguindo de novo defender muito bem e no ataque, além
de Neuza e Patrícia, a ver Inês Luís a fazer um jogo muito interessante. Tal
como no primeiro jogo, a equipa está na frente no último minuto e mais uma vez
deixa-se empatar, para desespero do seu treinador. E, no prolongamento, voltaram
a ser derrotadas. A tristeza que no final da partida estava bem estampada no
rosto das jogadoras do JAC é perfeitamente natural. Tiveram o acesso às meias
finais na mão e deixaram-no escapar de uma forma inacreditável. São estas
coisas que vai fazer esta promissora equipa crescer e devem estar orgulhosas da
forma como se bateram e estamos crentes que no futuro irão jogar de outra forma
quando estiverem a ganhar perto do fim. A Juve Lis teve o mérito de acreditar
sempre, embora voltasse a jogar muito mal em termos ofensivos. André Afra deve
repensar a forma de jogar da sua equipa que, face ao potencial que dispõe, tem
um ataque muito insípido, ao contrário da sua defesa que esteve de novo em bom
nível. Ana Gante voltou a destacar-se com a rematadora mais eficaz desta equipa
e a experiente Rita Chaves, na hora da verdade, quando as coisas não estavam a
correr bem para a sua equipa mostrou que ainda está aí para as curvas. O facto
de André Afra ter feito uma maior rotação de jogadoras ao longo da partida do
que Marco Santos acabou por ser decisivo já que no prolongamento a frescura das
duas equipas foi completamente diferente e já assim tinha sido no primeiro
encontro. A Juve Lis passa assim para a meia final mas achamos muito difícil
que consiga eliminar o Alavarium mas poderá até conseguir uma surpresa em casa.
No Pavilhão das Meirinhas, o Colégio João de Barros eliminou o Sports Madeira. O
Colégio João de Barros fez uma excelente primeira parte, dominando por
completo, mas na segunda parte o Sports Madeira conseguiu aproximar-se. Mas
quando Maria Pereira e Dulce Pina estão em grande, este Colégio João de Barros
torna-se uma equipa perigosíssima e continuamos a uma Eduarda Pinheiro em clara
subida de forma nos últimos 2 meses. A aproximação das madeirenses foi fruto de
alguma deficiência de recuperação defensiva da equipa de Paulo Félix. Se
conseguir limar essas arestas, o Colégio João de Barros pode criar muitos
problemas ao Madeira Sad nas meias finais. Recordemos que, no início da época,
estas eram as duas grandes equipas candidatas ao título e, apesar de
atribuirmos claro favoritismo às madeirenses, a subida de forma do Colégio João
de Barros pode transformar esta eliminatória num grande espetáculo e
equilibrado. Quanto ao Sports Madeira, depois da derrota no primeiro jogo no
Funchal, o seu destino estava traçado. A equipa lutou até ao final mas, desta
vez, a sua defesa nunca conseguiu parar as rematadoras adversárias. Uma vez
mais, Sara Gonçalves faz uma exibição fantástica, corolário de uma época de sonho
para esta ponta esquerda. Resta ao Sports lutar pelos lugares de consolação
numa época que ficou marcada pelo horrível começo que acabou por condicionar a
sua classificação final e impedir um emparelhamento mais fácil nestes playoff.
No Funchal, depois do interessante jogo na semana passada no Colégio, o Madeira
Sad não deu qualquer hipótese ao Colégio de Gaia, mostrando a enorme diferença
existente, atualmente, entre estas duas equipas. O Madeira Sad defendeu com a
qualidade do costume e impos um ritmo no contra-ataque que a equipa de Paula
Castro nunca conseguiu acompanhar. Bebiana Sabino está em nítida subida de
forma, as suas pontas esquerdas continuam a decidir jogos no contra-ataque e o
Madeira Sad continua a ser, na nossa opinião, o grande candidato a renovar o
seu título nacional. A grande questão é saber se Ana Andrade recuperará a tempo
das meias-finais, ela que está há já algum tempo de fora, por doença. Se Ana
Correia continuar a ter disponibilidade para jogar (pela primeira vez esta época
fez um jogo fora, na semana passada) pode ser uma excelente alternativa, mas é
importante que Ana Andrade recupere pois, dada a subida de forma do Colégio
João de Barros, a meia final vai ser muito mais equilibrada do que há 2 meses
atrás se poderia supor. De qualquer das formas, acreditamos que penderá para o
lado das madeirenses. O Colégio de Gaia viveu muito de Vanessa Silva, na nossa
opinião, a melhor lateral direita do campeonato. Nem Marta Loureiro (cujo
surpreendente regresso na semana passada tinha trazido qualidade à equipa)
acrescentou nada desta vez. O Colégio até tem bons fundamentos mas ver este
jogo foi ver uma equipa a andar de mota e a outra de bicicleta. E o Colégio de
Gaia que se tem afundando, época após época, se quer voltar a subir no andebol
português tem que melhorar a sua resistência e intensidade com que jogam. Mas,
provavelmente, tudo isso deverá começar pelos treinos. Resta agora ao Colégio
de Gaia lutar pelos lugares de consolação.
Em Aveiro, o Alavarium venceu o Maiastars conforme era esperado. Mas na
primeira parte, a equipa de Aveiro esteve uns furos abaixo do que tem sido
hábito. Contudo, quando a equipa acelera, é muito difícil a qualquer equipa
acompanhar o ritmo, sobretudo agora que Ana Seabra esteve de regresso e em bom
plano. Ana Marques e Cláudia Correia também estiveram em excelente plano. O
Alavarium continua a sua grande época mas o facto de Mariana Lopes não poder
jogar mais esta época pode fazer com que a meia final seja mais equilibrada do
que muitos julgam. Ainda assim achamos que a equipa de Aveiro conseguirá
alcançar a final, dada a qualidade do seu jogo ofensivo e de dispor do fator
casa num pavilhão que tem um ambiente muito quente. O Maiastars, apesar da
derrota por números expressivos, conseguiu limpar a péssima imagem da semana
anterior, muito por culpa de uma melhoria defensiva e, sobretudo, de
recuperação defensiva. Mas o seu ataque continua insípido, sem imaginação e vão
sendo as suas pontas que vão salvando a honra do convento. O grande objetivo da
equipa está alcançado que é a manutenção mas agora que defronta os grandes,
fica mais à vista as fragilidades da equipa.
No Grupo B, o grande vencedor da jornada foi a Juve Mar que ao vencer em Lisboa
está praticamente salva da despromoção. E foi uma vez mais a qualidade da sua
defesa que valeu a vitória, uma constante na segunda metade da época. No
ataque, a qualidade de Teresa Santos veio ao de cima e de Joana Terras que,
após sete anos sem jogar, este ano tem jogado em alguns jogos e mostra que quem
sabe não esquece. Grande resultado da equipa de São Bartolomeu do Mar que no
início da época parecia condenada à descida e com todo o mérito vai salvar-se.
O Passos tem a segunda derrota em 2 jogos da fase final e a equipa que tão boa
conta de si tinha dado na segunda volta do campeonato, parece agora sem crença
e sem a chama necessária para esta fase decisiva. E nem conseguimos destacar
ninguém ofensivamente, tão pálida foi a exibição de uma equipa que ainda está a
tempo de evitar a descida mas precisa de se lembrar como jogou na segunda volta
do campeonato pois a jogar dessa forma não teria estas derrotas.
Em São Pedro de Fins, o Santa Joana aproveitou o facto de começar esta fase com
2 jogos em casa e venceu de novo. Conseguiu mais em duas semanas do que no
resto da época inteira e está na corrida pela sobrevivência e o que mais
surpreende é que a equipa parece ter ganho mais agressividade defensiva.
Mariana Regadas nas últimas semanas está muito mais perto do seu real valor e
Ana Carvalho, até agora muito apagada, começa agora a evidenciar-se. E uma
equipa que parecia moribunda luta agora, de igual para igual, pela
sobrevivência. Quanto ao Cale, é a grande desilusão do campeonato e esta fase
final está a ser um verdadeiro pesadelo. Sofia Mota e Ana Paula Costa fizeram
excelentes exibições mas o resto da equipa não esteve lá e que continua a
revelar uma enorme desconcentração ao longo do jogo, preocupando-se com tudo
menos com o que se passa em campo. Há que mudar mentalidades nesta equipa
porque a equipa tem qualidade e está agora numa luta muito dura pela
manutenção.
Críticos Femininos